Quando uma pessoa chega ao poder, costuma-se dizer que ela virou de pedra a vidraça, uma vez que antes ela podia criticar e apontar responsáveis, e ao assumir um cargo passa a ser vigiada pelos demais, sempre prontos para atacar
E o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, já começa a encontrar tais pedras, que advém do seu passado episcopal.
O atual governante paraguaio assumiu a presidência guarani após renunciar de suas atividades como bispo. Após permissão do papa Bento XVI, Lugo concorreu às eleições e foi eleito em especial pela classe operária e camponesa ligadas a movimentos esquerdistas. Ao vencer a disputa, o então religioso quebrou um ciclo de hegemonia no país, que há décadas vivia sob a tutela do secular Partido Colorado.
Quando chegou ao poder, Lugo estampou sua marca governista em um perfil de defesa aos interesses nacionais. Exigiu do Brasil uma parcela mais justa em relação à energia da usina de Itaipú e começou a desenhar novos rumos democraticos ao Paraguai, nação marcada pela miséria e autoritarismo. Tudo parecia bem, mas eis que surge as pedras denuncistas...
E engana-se quem pensa em golpismo ou politicagem. As denúncias vieram de vozes femininas. que alegam ter concebido filhos de Lugo, quando este era bispo. Uma das crianças foi reconhecida pelo presidente, enquanto outras duas também seguiram o andor do denuncismo e afirmaram a mesma coisa.
O caso caiu como uma bomba à integridade do presidente, que gozava de prestígio por ter sido religioso. É evidente que todas as denúncias devem ser apuradas, mas será que elas têm viabilidade? O histórico de padres e do clero sempre foi marcada por julgamentos errôneos e maldosos, que custaram até o sacerdócio de alguns. Somente os desígnios de Deus revelarão se estas vozes são caluniosas ou verdadeiras.